Com a previsão de que o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM) entre em vigor em 2026, muitas empresas e profissionais de finanças estão reavaliando suas estratégias. Uma das principais conclusões é clara: distribuir o máximo possível de dividendos ainda em 2025 pode ser altamente vantajoso.
Neste artigo, você entenderá por que isso acontece, como funciona esse incentivo e quais são os impactos financeiros dependendo da fonte utilizada para pagar dividendos — caixa, lucros futuros ou até mesmo endividamento.
O incentivo criado pelo novo imposto
O professor Roy Martelanc explica que, hoje, uma empresa com lucro líquido de R$ 2 milhões pode distribuir esse valor integralmente como dividendos isentos para seus sócios.
A partir de 2026, porém, qualquer dividendo recebido passa a gerar imposto mínimo adicional, estimado em 10% no exemplo apresentado. Isso reduz o rendimento real do acionista.
O que a lei cria, então? Um incentivo para antecipar dividendos.
Como os dividendos pagos em 2025 não sofrem a incidência do novo imposto, empresas que anteciparem essas distribuições conseguem aumentar a renda líquida dos sócios no período 2025–2026, mesmo que o total distribuído seja o mesmo ao longo de dois anos.
Exemplo simples para entender o benefício
- Empresa com R$ 2 milhões de lucro líquido
- Em 2025, distribui normalmente os R$ 2 milhões
- Em 2026, se fizer o mesmo, haverá o novo IRPF mínimo sobre os dividendos
- Mas, se a empresa aproveitar o limite legal e pagar R$ 4 milhões de dividendos já em 2025, antecipa os valores de 2026
Resultado:
- O total distribuído em dois anos é o mesmo
- A renda líquida total aumenta, pois evita a incidência do novo imposto em 2026
Ou seja: financeiramente, há ganho real apenas pela reorganização temporal da distribuição.
Mas isso depende da fonte do dinheiro a ser distribuído
A decisão de antecipar dividendos precisa considerar de onde virão os recursos. O vídeo apresenta três cenários:
1) Usar o caixa disponível da empresa para pagar dividendos
Muitas empresas possuem excedentes em caixa. Nutrir esse caixa não gera benefício fiscal relevante — e pode criar custo de oportunidade.
Cenário do exemplo:
- A empresa possui R$ 1 milhão em caixa
- Ela usa esse valor + o lucro de 2025 para aumentar os dividendos pagos no ano
- Em 2026, utiliza parte do lucro para recompor esse caixa
- Em 2027, volta a distribuir o lucro normalmente
Resultado para a pessoa física:
- Recebe dividendos de forma antecipada
- Aplica os valores
- Paga os impostos normais sobre os rendimentos
- Termina os três anos com mais dinheiro do que no cenário sem antecipação
Conclusão: Quando a empresa tem caixa excedente, vale a pena usar esse caixa para antecipar dividendos ainda em 2025.
2) Assumir dívida para pagar dividendos
Este é o ponto mais surpreendente do vídeo.
Mesmo com juros altos, em alguns casos, contrair dívida para antecipar dividendos pode gerar ganho financeiro líquido.
Cenário apresentado:
- A empresa usa todo o caixa
- Além disso, assume uma dívida de R$ 1 milhão
- Distribui R$ 4 milhões em dividendos em 2025
- Em 2026, parte do lucro é usada para pagar a dívida (por ser cara)
- O restante recompõe o caixa
- Em 2027, a empresa volta à distribuição normal de lucros
Resultado:
Ao fazer todas as contas — dividendos antecipados, aplicação financeira do sócio, pagamento dos impostos e custo da dívida — o saldo final para a pessoa física é maior do que no cenário sem antecipação.
Conclusão: Dependendo da taxa de juros e da capacidade de recomposição, até se endividar pode ser vantajoso para evitar o IRPF Mínimo.
Por que isso acontece?
O raciocínio é simples:
- Os dividendos recebidos em 2025 são isentos.
- Os dividendos recebidos em 2026 passam a gerar imposto mínimo.
- Antecipar dividendos evita essa tributação futura.
O ganho líquido pode superar:
- o custo da dívida,
- o custo de oportunidade do caixa,
- e o imposto pago sobre aplicações.
O tempo é crucial: isso só funciona se feito em 2025
Em 2026, o imposto já terá entrado em vigor.
Portanto, qualquer estratégia de antecipação precisa ser executada ainda em 2025.
> "Se for fazer, faça já. Ainda em 2025." — Roy Martelanc
Empresas que ignorarem essa janela podem perder um dos últimos grandes incentivos tributários existentes para dividendos.
Conclusão: planejamento tributário se torna essencial
Antecipar dividendos em 2025 — usando caixa, lucros futuros ou até dívida — pode trazer ganhos financeiros expressivos para os sócios. Porém, isso exige:
- Análise de capacidade de endividamento
- Projeção realista de lucros 2026–2027
- Estudo das taxas de juros
- Modelagem de fluxo de caixa
- Simulação tributária comparativa
Ou seja: planejamento estruturado, numérico e profissional.
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