Voltar ao Blog
    Finanças

    O Payout Ótimo de Dividendos com o IRPFM

    Roy Martelanc – FEA/USP & FIA26 de Fevereiro de 202615 min de leitura
    O Payout Ótimo de Dividendos com o IRPFM

    Ao contrário da intuição da maior parte das pessoas, um payout de dividendos muito baixo reduz, e não aumenta, a renda líquida dos acionistas.

    Saco de moedas - O Payout Ótimo de Dividendos com o IRPFM
    Saco de moedas - O Payout Ótimo de Dividendos com o IRPFM

    Pagar ou Não Pagar Dividendos?

    Dividendos são geradores de IRPFM, portanto o ideal é que uma empresa não pague dividendos. Correto? Não! Para provar esse ponto, usamos uma tabela.

    PESSOA JURÍDICA2025 (s/ IRPFM)2026 (c/ IRPFM)
    100%
    Div
    100%
    GC
    50/
    50%
    100%
    Div
    100%
    GC
    50/
    50%
    Lucro líquido20.00020.00020.00020.00020.00020.000
    Dividendo-20.0000-10.000-20.0000-10.000
    Lucro retido (=GC)020.00010.000020.00010.000
    PESSOA FÍSICA2025 (s/ IRPFM)2026 (c/ IRPFM)
    100%
    Div
    100%
    GC
    50/
    50%
    100%
    Div
    100%
    GC
    50/
    50%
    Dividendos
    Renda20.000010.00020.000010.000
    IRPF0,0%000000
    IRPFM10,0%000-2.0000-1.000
    Dividendo20.000010.00018.00009.000
    Ganho de Capital
    Renda020.00010.000020.00010.000
    IRPF15,0%0-3.000-1.5000-3.000-1.500
    IRPFM10,0%00001.000500
    GC realizado017.0008.500018.0009.000
    Absorção perdida0000-1.0000
    Renda líquida total20.00017.00018.50018.00017.00018.000
    Alíquota equivalente0,0%15,0%7,5%10,0%15,0%10,0%

    * Valores em R$ (reais). GC = Ganho de Capital.

    FIA Business School - Economia, Mercado de Capitais e Imobiliário

    A Pós-graduação em Finanças e Eficiência Empresarial, do PEM.FIA, cobre a gestão financeira da empresa, incluindo orçamento, custos, aplicações, fontes de financiamento, crédito, planejamento tributário, gestão de riscos. Na segunda metade do curso, prepara para a criação de valor pelo aumento de receita e de margem, redução de custos e de ativos, projetos de desinvestimento e venda combinação fusão aquisição inovação financeira e reestruturação...

    Conheça o curso

    No primeiro bloco, a situação até 2025, para comparação:

    • Quando a empresa paga 100% de seu lucro líquido sob a forma de dividendos, a renda líquida do acionista é todo o montante de dividendos. É o esperado, já que dividendos eram isentos. Se a empresa precisar de capital para crescer, é só aportar o mesmo capital novamente.
    • Quando a empresa retem 100% de seu lucro líquido e o acionista realiza o equivalente como ganhos de capital, temos o pior cenário. Também esperado, já que os ganhos de capital são tributados.
    • A terceira coluna é um meio a meio, com 50% do lucro líquido realizado por meio de dividendos e os outros 50% realizados pela venda de ações que ficaram mais caras porque a empresa reteve lucros. Não supreendentemente, a renda líquida do acionista também está no meio.
    • Se o acionista não recebe dividendos ou realiza ganhos de capital, ele está somente adiando a realização do lucro líquido e seu decorrente efeito tributário.
    • Concluímos que, até 2025 e por que os dividendos eram isentos, o ideal era a distribuição de 100% do lucro líquido.

    A partir de 2026 temos o IRPF Mínimo e o payout de dividendos ideal muda:

    • Se a empresa distribui 100% do seu lucro líquido sob a forma de dividendos, o acionista paga o IRPFM sobre tudo. Parece mau negócio.
    • O outro extremo é a realização de ganhos de capital equivalentes a 100% do lucro líquido. Ganhos de capital pagam IRPF e absorvem IRPFM, mas essa absorção é perdida se não tiver como ser utilizada. Então a renda líquida é menor ainda. Mau negócio.
    • Talvez o ideal seja combinar dividendos com ganhos de capital. Nesse cenário, o acionista recebe dividendos de 50% do lucro líquido e realiza os outros 50% como ganho de capital. É interessante observar que a renda líquida é igual ao caso em os dividendos são 100% do lucro líquido. Isso será assim enquanto não houver absorção de IRPFM perdida.

    Uma Solução Algébrica

    O limiar a partir do qual a renda líquida do acionista passa a ser sempre a mesma pode ser calculado algebricamente. Na ausência de desperdício de absorção de IRPFM, a renda líquida do acionista é:

    Renda Líquida = Lucro Líquido × payout% × (1 − IRPFM%) + Lucro Líquido × (1 − payout%) × (1 − IRPF% + IRPF% − IRPFM%)

    A primeira parte da equação representa os dividendos, que são a multiplicação do lucro líquido pelo payout, descontado o IRPFM sobre os dividendos. A segunda parte representa os ganhos de capital, que são a realização da parte não distribuída do lucro, menos o IRPF dos ganhos de capital, mais a absorção que esse imposto traz. Rearranjando os termos temos:

    Renda Líquida = Lucro Líquido × (1 − IRPFM%)

    Vimos que, enquanto não houver desperdício de absorção de IRPFM, a renda líquida será sempre a mesma, igual ao lucro líquido menos o IRPFM.

    FIA Business School - Economia, Mercado de Capitais e Imobiliário

    A Pós-graduação em Finanças e Eficiência Empresarial, do PEM.FIA, cobre a gestão financeira da empresa, incluindo orçamento, custos, aplicações, fontes de financiamento, crédito, planejamento tributário, gestão de riscos. Na segunda metade do curso, prepara para a criação de valor pelo aumento de receita e de margem, redução de custos e de ativos, projetos de desinvestimento e venda combinação fusão aquisição inovação financeira e reestruturação...

    Conheça o curso

    Mas se houver absorção perdida de IRPFM, a sua equação é:

    Absorção Perdida = Lucro Líquido × max((1 − payout%) × (IRPF% − IRPFM%), 0)

    Resolvendo para uma absorção perdida nula, encontramos o limiar de payout. Se o payout for menor que o limiar, haverá perda de absorção. Se o payout for maior que o limiar, não há absorção perdida e a renda líquida do acionista é sempre a mesma. Esse limiar é 1 menos a relação entre as alíquotas do IRPFM e do IRPF dos ganhos de capital:

    limiar de payout% = 1 − IRPFM% / IRPF%


    Uma Visão Numérica

    A mesma coisa pode ser vista em uma tabela. Nela, a renda líquida do acionista é calculada para vários níveis de payout de dividendos.

    Como a alíquota de IRPFM do caso é de 10% e a de IRPF de ganhos de capital é de 15%, limiar de payout é calculado em ⅓, ou 33,33%.

    FIA Business School - Economia, Mercado de Capitais e Imobiliário

    A Pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking, do PEM.FIA, cobre as decisões financeiras empresariais, a avaliação de empresas, as operações de M&As e IPOs e a análise fundamentalista de ações. Cobre também os investimentos em títulos públicos, crédito privado, câmbio, criptoativos, ações e derivativos. Também cobre a comercialização de produtos financeiros...

    Conheça o curso

    Na tabela, vemos que quanto menor o payout, mais baixa a renda líquida do acionista. Mas isso somente até o limiar de ⅓. A partir desse ponto, a renda líquida do acionista atinge seu teto, mas não passa dele.

    Em outras palavras, se a empresa distribuir ⅓ ou mais de seu lucro líquido estará maximizando a renda líquida do seu acionista. Isso vale para qualquer payout maior que o limiar. Essa conclusão é fortemente contraintuitiva.

    PESSOA JURÍDICAPayouts de Dividendos
    0%20%33,33%60%80%100%
    Lucro líquido20.00020.00020.00020.00020.00020.000
    Dividendo0-4.000-6.667-12.000-16.000-20.000
    Lucro retido (=GC)20.00016.00013.3338.0004.0000
    PESSOA FÍSICAPayouts de Dividendos
    0%20%33,33%60%80%100%
    Dividendos
    Renda04.0006.66712.00016.00020.000
    IRPF000000
    IRPFM0-400-667-1.200-1.600-2.000
    Dividendo03.6006.00010.80014.40018.000
    Ganho de Capital
    Renda20.00016.00013.3338.0004.0000
    IRPF-3.000-2.400-2.000-1.200-6000
    IRPFM1.0008006674002000
    GC realizado18.00014.40012.0007.2003.6000
    Absorção perdida-1.000-4000000
    Renda líquida total17.00017.60018.00018.00018.00018.000
    Alíquota equivalente15,0%12,0%10,0%10,0%10,0%10,0%

    * Valores em R$ (reais). GC = Ganho de Capital. $mil.


    Em Resumo

    • A renda líquida do sócio pessoa física é reduzida na presença de absorção perdida de IRPFM. Se ela puder ser aproveitada, a renda líquida do sócio pessoa física permanece no seu teto.
    • O limiar de payout de dividendos é 1 menos a relação entre as alíquotas do IRPFM e do IRPF dos ganhos de capital. A renda líquida do sócio pessoa física é menor se os dividendos estiverem abaixo do limiar de payout. O limiar de payout pode ser menor se a pessoa física tiver outras fontes de renda geradoras de IRPFM, ou seja, se ele receber dividendos de outra empresa.

    Recursos & Disclaimer

    Veja também

    • Fontes de Renda Geradoras x Absorvedoras de IRPFM.
    • Balanceamento de Fontes de Renda Geradoras e Absorvedoras de IRPFM.
    • Gestão de Dividendos Induzida pelo IRPFM.
    • Com o IRPFM, os Juros sobre o Capital Próprio continuam Vantajosos?
    • Com o IRPFM, a Autodívida continua Vantajosa?
    • O Payout Ótimo de Dividendos com o IRPFM.
    • Realizar Já ou Adiar os Ganhos de Capital?
    • Impactos do IRPFM sobre o Mercado de Capitais.
    • Com o IRPFM, a PJ continua Vantajosa sobre a CLT?

    Legislação

    • Lei nº 15.270, de 2025.
    • Lei nº 7.713, de 1988.

    Media

    • RM (2025) Daco de Moedas. Com ChatGPT.
    • Sumaid pal Singh Bakshi (2022) Shapes. Unsplash.

    Siglas

    • Imposto mínimo: Imposto de Renda Pessoa Física Mínimo
    • IRPF: Imposto de Renda Pessoa Física.
    • IRPF Mínimo: Imposto de Renda Pessoa Física Mínimo.
    • IRPFM: Imposto de Renda Pessoa Física Mínimo.
    • IRPFM Mensal: Imposto de Renda Pessoa Física Mínimo Mensal.

    Disclaimer

    As análises têm um caráter educacional e refletem nossas opiniões e nosso entendimento atual, restrito às informações que analisamos, e possivelmente dependem de decisões governamentais e privadas que ainda serão tomadas.

    Esta apresentação não é uma recomendação referente a operações financeiras ou de qualquer espécie, inclusive, sem se limitar a, decisões de investimentos, financiamento, pagamento de dividendos, tributárias, econômicas e legais. Também não tem cunho político e não deve ser considerada uma tentativa de influenciar a legislação, a opinião pública ou resultados eleitorais.

    Antes de tomar as suas decisões, atualize a informação, modele levando em conta toda a informação pertinente ao seu caso particular e consulte um especialista.

    Próximo passo

    Domine a estrutura de capital e as decisões de dividendos no novo cenário tributário

    A Pós-Graduação em Finanças Corporativas & Investment Banking da FIA forma gestores financeiros capazes de estruturar decisões de alto impacto — de JCP a valuation.

    SIGA-NOS NAS MÍDIAS SOCIAIS